Vanguarda
- 8 de jun. de 2015
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A vanguarda do século xx é um período muito intenso e criativo, marcado por diversos tipo de experimentações em todas os setores intelectuais, principalmente as artes, moda e arquitetura. A mentalidade da época primava muito pelo rompimento entre arte e o cotidiano e foi por isso que o traje foi objeto de reflexão e transformou-se em meio de expressão e suporte para a criação. Os artistas buscaram de forma muito expressiva, a massificação artística nas roupas, criando uma importante denominação dita por Diana Crane, trata-se de “artificação”, que é o emprego mais objetivo da arte na roupa do cotidiano das pessoas, ocorrendo por meio de aplicação de estampas e padronagens dos tecidos. Abaixo segue uma lista com essa relação entre arte e moda do século XX:
Henry Van de Velde (1863 – 1957) Arquiteto belga, foi um dos maiores entusiastas da realização de vestimentas do novo estilo. Empenhou-se na renovação do traje feminino que deveria ser libertado de amarras do espartilho, desenhando alguns modelos no estilo Art Nouveau, que foram executados como protótipos, em poucas quantidades. Assim surgia a idéia do Kunstler Kleid, ou roupas de artista.
Klimt e a Moda Foi ele o principal ideologista da “roupa de artista”, criando vestimentas que, remetiam diretamente com as idéias de Freud, “interligam-se sonho e carnalidade”. Artista de destaque do movimento da Secessão ( Sezessionstil), Klimt teria desenhado vestidos para a Wiener Werkstätte, nas famosas oficinas vienenses, fundadas em 1903 pelo arquiteto Josef Hoffmann. Pode-se perceber também que Klimt se preocupava muito em suas pinturas com as roupas em que suas musas vestiam (Emilie Flöge – ela vestia e criava muitos vestidos em cooperação com Klimt), isso demonstra claramente suas ideologias para a maneira de expressão do corpo e da alma.
O Orfismo de Sonia Delaunay O movimento artístico chamado de Orfismo, surgido na década de 1910, trabalhava as formas e imagens abstratas a fim de provocar a simulação de movimento. Delaunay associou a vanguarda da arte à vida cotidiana, desenvolvendo objetos de uso a partir da visão política e artística dos movimentos e correntes aos quais pertenciam, assim sendo, abandonou a representação pictórica, naturalista e ousou ao utilizar como suporte materiais têxteis. Porém as roupas foram testadas em carárter experimental, tecidos para fabricantes de seda e Lyon, figurinos etc, indo além, para trabalhos decorativos e ilustrações de livros. Obteve sucesso com seus “vestidos simultaneos”, pois considerava os trajes que criava de “pinturas vivas”, expressando, assim, seu empenho na projeção de formas, cores e texturas amplificadas e transformadas pelos movimentos do corpo.
O Futurismo Em 1909 Marinetti lançou em Paris um manisfesto sobre a poesia futurista, assim criou a grande ideologia desta escola artística, pois os futuristas queriam introduzir na arte o ritmo e a dinâmica industrial em sintonia com a nova realidade do século XX. Foram estes artístas que trouxeram a idéia de que espaço, tempo, ação e corpo também constituem material de arte. A relação da moda com este período ocorro quase que principalmente com o artista chamado Giacomo Balla. Foi ele quem escreveu o texto intitulado “Manifesto Futurista do traje masculino”; – “É preciso destruir o terno passadista epidérmico descorado fúnebre decadente tedioso anti higiênico” – Esta frase traduz bem o que Balla defendia, pois afirmava que pensamos e agimos como nos vestimos e, portanto, as roupas deveriam ser alteradas de acordo com o estado de espírito de quem as usava, por meio de “modificadores”. Importante dizer que muitos artistas futuristas dedicaram-se à criação de figurinos para teatro, e alguns fundaram a Casa d’arte, onde realizavam objetos e projetos de decoração e roupas, dentro da visualidade futurista. Uma útlima curiosidade, Volt, em 1920, declarou no Manifesto da moda Feminina Futurista, que “a senhora elegante será transformada por nós em um verdadeiro complexo plástico vivo”.
O Dadaísmo Iniciou-se em Zurique, em 1916, liderado pelo romeno Tristan tzara. O Dadaísmo tem ligações com a face ‘irracionalista das vanguardas, assim sendo, Tzara acreditava que a escolha da vestimenta de uma mulher era reveladora de seus desejos e medos inconscientes. Com Sonia Delunay-Terk criou vestidos- poemas em 1921; Curiosidades: Duchamp se travestiu para criar seus alter egos: Belle Haleine e Rrose Sélavy, mulheres criadas com a intenção de subverter e ridicularizar a cultura e a hipocrisia dos comportamentos convencionais, entretanto, diferentemente do futuristas os integrantes do Dada não se interessaram diretamente pelo tema do vestuário. A exceção da Baronesa Elsa von Freytag-loringhoven.
Surrealismo: Corpo e Roupa O Surrealismo surgiu no interior do Dada, liderado pelo escritor André Breton, que em 1924, lançou o manifesto surrealista; Princípio máximo: buscar a expressão do funcionamento da mente, sem a interferência da razão, então muitos surrealistas traduziram esses “postulados” por meio do vestuário, pintando ou desenhando trajes, criando jóias, acessórios e estamparias, inclusive o mais famosos dos surrealistas: Salvador Dali. Inclusive em 1950 Dali e Cristian Dior criaram um editorial do que seria e vestiria a mulher do ano de 2045, intitulado “Traje de 2045” que foi coberto por uma reportagem do jornal de Chicago.









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